O Fantástico mundo da Editora Draco



A Editora Draco tem feito um trabalho maravilhoso.

E eu me senti com a obrigação de contar para vocês um pouco mais sobre ela, primeiramente, porque a Editora Draco lança títulos brasileiros. Segundo, porque ela lança livros de literatura fantástica, ficção científica e terror.
Tudo isso me deixou caindo de amores.


DRACO
“Do latim, dragão.
“A palavra dragão (em inglês, dragon) vem do grego drákon, δράκων, que deriva do verbo derkomai, “olhar”, pois seu papel no mito grego é o de vigiar tesouros cobiçados. O nome tem sido dado a criaturas mitológicas muito diversas, de diferentes culturas.” (Fonte: Dragão, Fantastipedia http://pt.fantasia.wikia.com/wiki/Dragão)
O que o nosso draco propõe? Algo diferente. Invés de apenas vigiar esses tesouros cobiçados, queremos também apresentá-los a todos que os buscam. Esses tesouros estão por toda parte: internet — em suas muitas facetas como blogs, sites de compartilhamento e redes sociais; computadores pessoais — escondidos por autores que são verdadeiros dragões, no sentido original da palavra; impressos — compartilhados entre amigos e familiares — e, claro, também nas estantes das livrarias por todo o país. Esses tesouros, ou podemos dizer, tesouro: a literatura fantástica brasileira.
A Editora Draco quer fazer conhecido esse imaginário brasileiro, tão nosso e único, mesmo influenciado por obras estrangeiras que chegam através de livros e outros meios.
Queremos publicar autores brasileiros, aliando design, ilustrações e tudo o que for possível para melhorar nossos produtos. Que nossos leitores sejam atraídos pela beleza, mas nunca deixem de se maravilhar com as histórias e personagens que nossos livros trazem.
Que os autores brasileiros possam compartilhar seus tesouros e nós, amantes de livros e literatura fantástica, possamos ajudá-los a chegar aos leitores, abrindo portões e vencendo armadilhas, criando imagens e histórias que possam ser contadas por muitos anos.
O dragão despertou e convida a todos para desfrutar desse tesouro.”


Entenderam porque sou “baba-ovo” declarada da Editora Draco?


Já que eu, e muitos outros blogs e diversos autores estamos apoiando o Desafio Nacional, nada mais justo que começar por apresentar uma editora 100% brasileira, não é?

Por isso ninguém melhor que Erick Santos, editor da Draco, para falar um pouco mais sobre ela e sobre a literatura de gênero no Brasil.

Como surgiu a Editora Draco?
Sou apaixonado por literatura de gênero, em todas as suas vertentes -- quadrinhos, contos, romances, peças de teatro. Ou mesmo o que não é literatura propriamente dita como videogames, filmes, música, ou tudo o que possa ser usado para se contar boas histórias. Porém, trabalho com livros e no mercado editorial há mais de 10 anos, por isso sabia que se fizesse algo em nome da literatura brasileira, minha contribuição teria de vir no meio impresso. Como apaixonado, sempre achei que a produção brasileira não tinha a atenção que merecia, salvo poucos bravos que abriram caminho com muita persistência mesmo em tempos sem internet. Mesmo tendo aberto a Draco em 2002 como parte de um projeto para a minha graduação, foi só com a ajuda de gente que adora fazer livros que pude trazê-la de volta à ativa no final do ano passado. Desde lá passaram-se seis meses de muita correria e projetos que já nos dão planejamento para mais um ano ou dois, pelo menos.

Qual o objetivo da Editora?
Dar um tratamento editorial adequado e profissional à enorme produção brasileira que acompanhamos em blogues, redes sociais, livros de gaveta, enfim, tudo o que os autores nacionais fazem e não têm oportunidade de publicar em grandes editoras de ficção. Depois disso, lutar para que esses livros estejam ao alcance de cada vez mais brasileiros, por todo o país.

Você acha que a literatura fantástica brasileira vai conseguir seu lugar no mercado, mesmo com tantos títulos estrangeiros chegando com toda a força no país?
Não tenho dúvidas, mas só posso falar de nossa experiência. No nosso caso, a Draco tem tido um carinho e recepção muito bons por parte dos leitores, o que nos dá uma boa injeção de ânimo para continuar o trabalho. Em todos os lugares que chegamos, temos tido resultados sólidos e importantes que nos mostram que é justamente a falta de uma ação séria por parte das editoras de autores brasileiros o que tem dificultado o acesso aos leitores. As causas mais comuns são má editoração, má distribuição, mal trato com os autores e leitores e muitos outros "mals", que também compartilhamos, por isso trabalhamos constantemente para melhorar como editores e oferecer livros escritos por brasileiros ao máximo de leitores possíveis. Afinal, não é possível que só os estrangeiros saibam escrever. O que eles têm é muito mais tempo de mercado, ou no mínimo muito mais experiência com o que funciona e o que não funciona. Tentamos nos espelhar nas lições dos outros, mas sem ter medo de experimentar novos autores e gêneros.
Você pode nos contar um pouco sobre os principais títulos da Draco?
Temos 8 títulos, atualmente, sendo que 3 estão sendo lançados agora: Selva Brasil, de Roberto Causo, Guerra Justa, de Carlos Orsi, e Meu amor é um vampiro, organizado por Eric Novello e Janaina Chervezan. Temos três renomados veteranos na FC nacional, Gerson Lodi-Ribeiro, Carlos Orsi e Roberto Causo, nomes que dispensam apresentações dentro do gênero e que sempre achei que deveriam ter seus romances publicados e nas livrarias. Temos dois romancistas estreantes, Jim Anotsu e Ademir Pascale. Enquanto Ademir Pascale é um organizador de coletâneas e contista experiente no gênero do Terror, o que reverteu em repercussão para o seu trabalho, o thriller policial O desejo de Lilith, ficamos felizes com o sucesso de Annabel & Sarah, um livro que acho que tem tudo a ver com a realidade atual e faz diversas referências a ícones da cultura pop e à literatura beatnik. Fora os romances, temos 3 volumes de coletâneas, a coleção Imaginários, com 2 volumes, contém os veteranos acima e muitos outros nomes famosos na literatura de gênero nacional, como Giulia Moon, Martha Argel, Jorge Calife, André Carneiro, entre outros, organizados também por Eric Novello, de Meu amor é um vampiro, junto com Saint-Clair Stockler e Tibor Moricz, todos escritores participantes das coletâneas. Para os próximos volumes da Imaginários temos mais veteranos e mais novos escritores que apostamos muito. A Meu amor é um vampiro é o primeiro volume da coleção Amores Proibidos, nossa estreia no gênero de Romance Sobrenatural (conhecido lá fora como Romance Paranormal) e se pretende a primeira de muitas coletâneas e romances.

Como a editora avalia os originais recebidos?
Além de mim, outros leitores críticos me ajudam nas avaliações, o que tem sido de grande valia, mas acho que não temos a velocidade adequada para atender à quantidade de originais que recebemos. Queremos dar retornos sérios aos autores, não simplesmente cartas de rejeição aos que ainda não estão prontos, mas isso é algo que estamos estudando como resolver. O que posso oferecer como dica para quem ainda não publicou profissionalmente é tentar buscar técnicas de texto, reunindo um bom português, além de conhecer o mínimo de narratologia. Afinal, escrever romances é contar histórias. Livros mais clássicos que recomendo são Poética, de Aristóteles e O herói de mil faces, de Joseph Campbell. Alternativas mais atuais e práticas são o Manual de Roteiro, do roteirista de cinena estadunidense Syd Field, O roteirista profissional, Marcos Rey e Da criação ao roteiro, Doc Comparato, os últimos dois são brasileiros roteiristas de televisão.
O que é indispensável em um bom livro de fantasia/ ficção científica?
Independente de gênero, contar uma boa história. E isso não tem nada a ver com modismos ou em se preocupar com o que vende mais. Contar uma boa história é contar algo que tenha muito do autor, mas que seja construído como uma narrativa que funcione e possa ser compreendida por pessoas que nunca conheceram quem escreveu. Se alguém que não sabe nada do autor puder se sentir empolgada com uma história, é porque ela é bem contada. A fantasia e a ficção científica são maneiras mais explícitas do autor assumir que busca a especulação, a imaginação e a criação do que ainda não existe, do que nunca virá a existir, ou do que possa vir a ser. Mas nada disso serve como história se não falar de pessoas. Se não houver bons personagens, a história não serve para nada. Mesmo que o personagem seja uma cidade, mesmo que o personagem seja o oceano. Os personagens são essas coisas com quem nos identificamos, é nisso que o bom escritor deve se concentrar. O resto é técnica e pode ser aprendido muito bem nos livros que citei acima.

Você acha que o brasileiro ainda tem muito preconceito em relação à literatura contemporânea nacional? Se sim, o que podemos fazer para mudar essa mentalidade?
Sim, mas não é só preconceito. É experiência frustrada com pouca oferta em quantidade e problemas de qualidade. Mas o que as editoras devem fazer não é desistir, é aprender e fazer melhor, sem parar com o trabalho. Atualmente há muita produção na internet, o que acho ótimo, mas muitas vezes a qualidade editorial que se espera de um livro não está sendo oferecida no material de blogues e ebooks. E é aí que entra o trabalho dos profissionais de editoração, um problema que não tem a ver só com a literatura brasileira impressa, mas com todo o mercado editorial do futuro e a produção de ebooks: o choque do rápido/gratuito x qualidade editorial.




Acho que já deu para termos uma boa idéia sobre qual é a proposta da Editora, não é?


Qua tal conhecer um pouco mais sobre os livros da Draco? Acesse o catálogo!

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13 Response to O Fantástico mundo da Editora Draco

14 de maio de 2010 14:02

aha eu sei pq vc adora a editora, sua safaaaaada :D

Eu
14 de maio de 2010 14:03

Credo, que blog mais parado, ninguém comenta! Hahaha! Brincadeira, Carol, seu blog é lindo e entre os literários é o que mais tem conteúdo diferente! Beijo!

14 de maio de 2010 14:20

Realmente, a Editora Draco é muuuito boa! Lá no blog também tem sobre ela hoje, êêê! =D Eu quero ler vários livros dela *-*

14 de maio de 2010 14:31

Nunca tinha visto nada sobre essa editora! Adorei a entrevista, e já achei uns livros que gostei
beijoss

14 de maio de 2010 15:43

MUITO³ legal mesmo o trabalho da ''Editora Draco''... Publicar conteúdo 100% nacional, ainda por cima de Fantasia/Mistério/Terror são para poucas - e por isso ela já conquistou mais um fã: EU! uahauhauahuahuah

14 de maio de 2010 15:55

Adorei a entrevista. *-*

Mas gente, juro que não sabia que Annabel & Sarah era brasileiro. :OOO

14 de maio de 2010 15:59

Carol,

todo mundo acha que é estrangeiro por causa do nome do autor! =D

14 de maio de 2010 16:58

AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAH *-* Draco *-*

14 de maio de 2010 22:21

Parabéns à Draco pela iniciativa, muito boa entrevista com o editor! Se eu fosse vc, entrevistava o editor da Novas Ideias tb;-) Aproximar os editores dos leitores é algo maravilhoso que a internet permitiu!

15 de maio de 2010 17:28

Ainda não conhecia a Editora Draco, mas eu acho muito legal quem lança e incentiva a leitura de autores brasileiros!! :)

16 de maio de 2010 14:07

Oi Carol,

Muito legal o post, eu já vi alguns livros da editora e adorei saber mais.

P.S: Pena que a gente não encontrou ontem na Bienal :(

bjoo

16 de maio de 2010 22:13

Oi Carol!!!!

Nossa que legal que ficou a entrevista com o Editor,nossa amei de verdade,muito bom conhecer uma Editora 100 % brasileira!!!

4 de junho de 2010 14:54

Muito legal.

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